IA, Ética e Poesia -1

Nunca me furtei de uma boa oportunidade ou de uma boa polêmica saudável. No caso da primeira, já dizia o velho André Guerra - Andrezão: “Se a loucura passar na sua frente montada no cavalo, agarre ela e não solte mais.” Ela não passa sem que eu monte no cavalo, destino a ser descoberto obviamente.
Nem toda polêmica é saudável (como comparar o maravilhoso doce de leite de minas a pobreza de um Nutella), mas algumas se impõem como necessárias.
Eu vi a transição de fichas telefônicas, para cartão e depois para os celulares. Onde o mundo mudou tanto que a última função de um telefone a ser avaliada é o serviço de voz.
E a tecnologia é assim. Ela não avisa com antecedência porque ela está ali do nosso lado, o tempo todo, longe das manchetes do jornal. Ela é esperta.
Mas quando menos esperamos, eis que ela surge e muda sua forma de fazer frituras. Nos EUA a última pesquisa aponta que a “Air Fryer” tem seu lugar garantido em 60 % dos lares americanos.
E aqui, nessa rede que começou discada? Eu tenho me aventurado por várias plataformas, apps e aprendido bastante. A recriar sites, landing pages, organizar pesquisas, projetos e redescobrir a poesia, utilizando a IA para gerar a música. Sim, a polêmica chegou no barraco no mesmo dia que eu terminei minha primeira experiência com IA e música.
Primeiro que nunca me considerei músico. Mal passo de um compasso do olodum, e ainda perco o ritmo depois de um minuto, quanto mais ter todos os arranjos para criar música.
Nessa versão nova da minha página você vai ler que sou compositor. Eu nem sabia que o seria, até que um belo dia nos longínquos anos de 1990 e algum guaraná apresentei uma letra para uma banda que eu fazia a produção e ela foi para o famoso “estúdio de gravação”. Desde então toda poesia que escrevo penso nela como letra de música.
Letra de música não é música. É poesia. E para os puristas de plantão deixo claro para quem quiser ouvir que não vou me furtar a usar da tecnologia para divulgar minhas composições poéticas. Se são boas ou não, não será a vestimenta de um vestido de IA que as tornaram melhores ou piores. Mas o alcance será certamente maior.
Em 2004, chegamos a gravar um álbum inteiro (que está disponível aqui no site) para servir de suporte para uma história em quadrinho. A ideia era fantástica e o projeto todo acabou sendo engavetado porque o produto principal não ficou pronto, mas deixou vários "derivados" que hoje contam a história do que podia ter sido. Mas o importante, como sempre digo, nestes casos não foi o final, mas a travessia, no bom e velho estilo Guimarães Rosa.
Faço podcasts desde 2005, e nunca vi neles um trabalho para ganhar dinheiro. Minha produção literária por outro lado remonta a antes de 1999 de forma profissional e nunca foi exatamente um ganha pão. Muito antes pelo contrário. Nem por isso me furto de escrever e encher a gaveta com rascunhos que algum dia poderão vir a ver a luz do dia. Alguns sonham com isso e me atormentam nas noites com essas ideias...
Enquanto isso novas tecnologias vão surgindo e da minha parte podem ter certeza que experimentarei todas elas. Na pior das hipóteses é algo para treinar a mente.

A parte ética não está em usar ou não a ferramenta. É delimitar legalmente em que campo a ferramenta atua. E dentro dessa lógica foge bastante a minha alçada, porque não é algo consolidado, mas muito em breve será. E sendo utilizarei.
Até a próxima polêmica.
